terça-feira, 15 de maio de 2018

segundo sol e o Brasil racista


Eu não assisto TV, até porque não tenho, mas estou acompanhando os debates acerca da novela que estreou ontem na emissora Rede Globo e que pelo visto, parece não dialogar nem um pouco com a maior parte do público que assiste este canal e manteve uma maioria de atores brancos em uma novela representada na Bahia em que a maioria das pessoas são negras. Por conta disto vou iniciar neste blog uma série de postagens acerca de como o Brasil segue perpetuando o racismo e todos nós somos um pouco responsáveis por isto.


Fonte - Google 



Entenda em 6 minutos como você nasceu num país racista

1 - Assista o Documentário: http://www.menino23.com.br/

Menino 23 é um documentário brasileiro de Belisario Franca lançado em 2016. O título é uma homenagem a Aloisio Silva, que era chamado apenas por este número durante sua infância, na década de 1930, período que foi escravizado em uma fazenda no município de Campina do Monte Alegre por fazendeiros-empresários brasileiros da família Rocha Miranda, que eram simpatizantes do nazismo e participantes da cúpula da Ação Integralista Brasileira.

O filme esteve na disputa, por uma indicação, ao Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, no Oscar 2017.

Mais sobre a Eugenia: 

2 - Racismo Científico: http://bit.ly/2nLiANG / http://bit.ly/2ntDY8z

3 - Arthur de Gobineau: EN http://bit.ly/2oxjD3U / PT http://bit.ly/2n1qkhs

4 - Francis Galton: http://bit.ly/2nwVERs

5 - "Ensaio sobre as desigualdades das raças humanas": Texto: http://bit.ly/2n1qBB0

6 - Movimento Eugênico no Brasil: http://bit.ly/2oNFF1L

7 - Posição do Brasil no Congresso Universal das Raças: http://bit.ly/2nZBP8z

8 - Constituição de 1934: http://bit.ly/2mYY2nm

9 - Prova Escolar de 1936 para Ginásio.  http://bit.ly/2mMJ6IT

terça-feira, 3 de abril de 2018

A esquerda e a Princesa Isabel – parem de usar nosso sangue em suas plataformas eleitorais


Após um mês do assassinato de Marielle Franco, continuamos sem respostas para tal crime, algo comum para aqueles e aquelas que convivem com isso desde o nascimento. E não falo apenas dos moradores das periferias brasileiras, mas sim dos negros e negras brasileiros que conhecem de perto o drama da morte. 
Muita gente se recusa a aceitar a origem de Marielle Franco, uma mulher negra, periférica e lésbica. Afirmam: “foi um crime político”. Para além disso, gostaria que explicassem como eu e muitas outras mulheres negras e periféricas nos dividimos no cotidiano: somos só negras, só mulheres e de repente somente sujeitos políticos. São estes que desconhecem a constituição do povo brasileiro que entoam hoje a chamada esquerda brasileira com sua síndrome de Princesa Isabel. Não nos querem como intelectuais atuantes em diversas áreas da sociedade, mas sim como um símbolo. São os abolicionistas que, assim como Princesa Isabel, levam os louros de uma luta que já existia entre os negros e negras brasileiros, mas é pouco conhecida, pois a história nos apaga. Em contrapartida, estamos entre (e ao lado) dos subalternos, dos oprimidos, da nossa composição de classe que é heterogênea, mas conectada em suas opressões. Esta é a noção de interseccionalidade, o “nó” do termo cunhado pela jurista afro-americana Kimberlé Crenshaw (1989): todas as múltiplas violências sofridas se encontram, se sobrepõem e colocam a mulher negra na base dessa pirâmide, daí a morte do seu pensamento, do seu posicionamento e também dos seus corpos.


Imagem da Revolta dos Malês - google


Contudo, estamos à mercê da política em uma sociedade que ainda não nos aceita. Muitos negros e negras dividem um sentimento desconfortável quando vemos que a morte de Marielle Franco está sendo usada como plataforma política. Vale tudo por uma eleição? É só assim que sabemos lutar? Por meio de disputas eleitorais e ocupação do Estado? Para nós, nunca foi assim. Temos que lutar pela sobrevivência desde o nascimento; logo, poucos vislumbram uma luta dentro da organização estatal. “Corremos por fora”, como se diz por aí.

E é por estas e outras razões que, no Brasil, os donos do poder dormem tranquilos, porque as investidas contra o capital são inexistentes. A direita pode sair às ruas com sua bandeira torpe que serve apenas ao reacionarismo mais rebaixado, buscando uma realidade “deles e para eles”, ou seja, monomaníaca. Claro que nos excluirá! O que faremos? Começamos por não enganar uns aos outros; tratemos a realidade como ela é. Um governante deste ou daquele partido, por mais bem-intencionado que seja, entrará no chorume exposto e esfregado todos os dias em nossas caras.

Sofremos para que outros possam viver bem, às nossas custas. Somos conscientes da nossa condição, das dores que nos atravessam. Somos negras, também trabalhadoras, também mulheres, também periféricas; somos diversas lutas de uma mesma classe com seus sofrimentos e suas especificidades, mas somos uma classe. E não se enganem, o levante dos Malês virá contra todos e todas que nos oprimem, que nos usam, que nos expropriam em todos os sentidos.


Assino o texto consciente de que não foi um pensamento solitário. O sentimento de falsidade e uso resvala por muitos de nós que andamos a discutir nas redes sociais, e em uma dessas conversas surgiu o título deste artigo: por que não nos respeitam? Esta esquerda se parece muito com a Princesa Isabel, só nos quer quando servimos à luta, mesmo mortas.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Maria José dos Santos Stein: uma vida dedicada à solidariedade e à luta pelos direitos das mulheres


No dia 08 de Março relembro a história de uma grande mulher lutadora que inspirou e inspira muitas outras.






Maria José dos Santos Stein, minha tia, carrega o nome de um hospital em Santo André (SP). Conhecida por sua solidariedade, participava ativamente da política por meio da Juventude Operária Católica, juntamente com seu companheiro Elias Stein. Começou a trabalhar aos 14 anos em uma tecelagem, onde teve contato com as dificuldades das mulheres. Logo ingressou na JOC (Juventude Operária e Católica), onde participava das reuniões e confraternizações.
Nascida em Garça, chegou à Santo André ainda menina, carregando consigo uma carga nada leve: a história de uma família militante. Seu pai, Salvador dos Santos, abrigava  presos políticos em sua casa em época dura e de repressão. A vitalidade de Maria José foi levada a cabo nos desafios da luta pela saúde pública sempre ligada ao movimento operário e de mulheres como liderança da Fé-minina Movimento de Mulheres de Santo André e Movimento de Saúde, conforme relatado no livro As Operárias do ABC

Fui descobrindo porque eu era revoltada, o que realmente a fabrica tinha tirado de mim. Tinha tirado a possibilidade de me realizar. Mas que não era só. A minha descoberta foi a seguinte: que não era só de mim que ela tinha tirado, mas que era de todos os meus companheiros e companheiras (In GARCIA, IVETE, 2007, p.43).


 Maria José dos Santos Stein, faleceu em 2005, por deficiência no intestino, tem histórico de militância ligado à família, que participava ativamente da Sociedade Amigos de Bairro, da Igreja Nossa Senhora das Graças. 
Em conversa com sua filha Laura dos Santos Stein, rememoramos essa data a partir da experiência de nossa família, que foi para nós uma inspiração. Diz ela que demorou a entender àquela mãe que nunca estava em casa, mas que quando compreendeu sua ausência passou a ter certeza de que teve muita sorte nesse encontro familiar. 
Ainda me recordo da Tia Maria me dando conselhos e mimos, aos domingos, quando íamos à sua casa. Sua ausência familiar se dava a partir da doação ao outro e a luta por um mundo melhor, o sonho de um SUS (Sistema único de Saúde) humanizado para que as mulheres tivessem mais direitos. Conversava com as coletoras de papelão para que montassem uma cooperativa... tantas coisas, tantas lutas. Relembramos...
Mesmo aos 60 anos e cansada, Maria José saía cedo para pegar o ónibus para o trabalho e voltava tarde da noite, dizendo “hoje teve reunião do fé-minina, hoje teve orçamento participativo, hoje tem reunião da comissão da saúde”. Ela subia o morro, em todos os sentidos e nos carregou juntas. Nos 80 e 90 sua luta em conjunto com outras mulheres por um sistema de saúde humanizado lhe concedeu a homenagem de levar o nome do hospital, que, fundado em agosto de 2008, Maria José não teve tempo para ver tamanho reconhecimento.
No seu velório, em 2005, apareceram todos estes sentimentos plantados em cada uma das pessoas que teve contato com ela. Chegavam muitas coroas e a Prefeitura de Santo André disponibilizou uma carrinha para levar tantas flores e homenagens recebidas. Apesar da vida, na sua dialética que nos aproxima e nos distancia, o que sentimos hoje é a gratidão por ter nascido em uma família que nos deu valores humanos tão raros e que também suscita nossa atuação nesse mundo carente de lutas e, principalmente, de lucidez.

Referências

terça-feira, 6 de março de 2018

Foro de Mujeres - Cuenca


Faltando dois dias para a data oficial internacional da mulher, realizou-se um Fórum na Cidade de Cuenca no Equador.  O intuito era a discussão acerca dos avanços realizados na cidade a partir das políticas implementadas, o evento contou com a presença de 4 mulheres. 



Ao chegar lá percebi que muitas haviam muitas mulheres, foi interessante, representando associações de bairro, mulheres de paroquias e de comunidades. As apresentações das representantes foram bem enfadonhas, tocaram em pontos que são comuns na maioria dos textos pelo mundo como; desigualdade salarial, desigualdade em espaços públicos e acessos aos estudos e ao trabalho. Apesar da repetição, tais pontos possuem sua importância tendo em vista que as disparidades permanecem. O que mais me chamou atenção  em tudo que ouvi foi o descolamento do discurso com as mulheres que ali se encontravam. Algumas fizeram sua apresentação em PowerPoint com textos enormes completamente desinteressante para muitas mulheres que talvez quisessem uma apresentação mais objetiva e limpa. Destacaram programas do governo como o "Impulso mulher" que capacita mulheres para as diversas áreas do mercado e da "Casa Violeta" que recebe mulheres que passaram por situações de violência, ao fim todas pareciam entediadas  com a falta de vinculo entre suas realidades e a exposição, bem como ao tempo dedicado a fala de cada uma. 



  

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Capitalismo da redução de danos - La mitad del mundo Texto II


No segundo texto acerca da visita ao Ciudad Metad do Mundo no Equador, falarei um pouco das diferenças deste país, o Equador. Este país que é um dos menores da América Latina,tem cerca possui cerca de 16 milhões de habitantes e não faz fronteira com o Brasil, possui paisagens belíssimas muito características da sua formação geológica andina.

No qua tange aos aos habitantes  a partir do censo de 2010 e do sistema de auto declaração, a maioria dos habitantes se declara como mestiço. 




Dados do Inec 


Como na maioria dos países latino americanos, a maior parte da população equatoriana vive na costa, onde se deu maior "desenvolvimento" e uma parte vive na serra, com população indigenas ainda não contatadas vivendo na Amazonia. O que chamarei atenção neste texto que é o que destaca o seu título "capitalismo da redução de danos" se refere a esta diferença habitacional que também denota em uma diferença no nivel de vida da população, bastante perceptível quando vamos de um lugar a outro. Embora o IDH (indice de Desenvolvimento Humano) esteja em torno de 0,7 considerado muito bom, a desigualdade permanece. Isto é muito notável, no trabalho infantil, nas filas dos hospitais e mesmo na forma como a arquitectura esta posta. Em Quito, capital bastante urbanizada, se vê casas enormes, prédios modernos e uma acesso bastante caro a maioria das pessoas, praças de alimentação onde um prato simples custam  volta de 10 dólares me parece muito para a maior parte dos latino americanos. Por outro lado, ao nos afastarmos deste centro e viajarmos para qualquer região de cá já percebemos como as pessoas vivem mal, com suas casa pequenas coladas umas as outras, suas formas de sobrevivência diária que nem sempre costumam garantir sua própria alimentação. Ninguém escolhe ser um vendedor de alimentos na rua ou no ónibus, as pessoas simplesmente são, porque precisam sobreviver, porque não encontram outras alternativas. A experiência da escassez modifica o nosso olhar, cada lugar que vejo sempre nota as diferenças postas ali e a vontade que fosse tudo diferente, com mais esperança e com mais direitos. 

Nestes últimos 15 anos que América Latina teve um forte boom com governos chamados progressistas, passados os anos o que notamos é que suas políticas e conquistas, importantes, foram muito frágeis e porque? não foram políticas estruturais, agora, com toda a América Latina voltada ao conservadorismo as diferenças não passam desapercebidas, a pobreza é cada dia maior, bem como todas as dificuldades impostas. Este capitalismo da redução de danos nunca funcionou para todos e todas e enquanto não resolvermos este problema, o da nossa submissão colonial, estaremos sempre imersos nestas dificuldades que custam a vida de muita gente.

ES 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

La mitad del mundo - Ecuador (texto 1)


La mitad del mundo ou A metade do mundo  

é um cidade pertencente a Pichina em Quito (Equador). O objetivo deste texto é apresentar as minhas impressões deste lugar bem como aprendermos um pouco mais acerca desta zona do globo bastante visitada por turistas e conhecida por ser o marco O grau 0 grau que aprendemos nos mapas da 5ª série quando estudamos latitude e longitude. 

acho que não deve caber todas as informações em um só texto então vou escrevendo em várias partes para que os professores possam fazer uso desde várias facetas do mesmo local. 

A cidade da metade do mundo está localizada ao norte de Quito (capital do Equador) - em vermelho





A viagem mais fácil e barata de ser realizada é por meio de um ónibus, na verdade são dois a depender do local de Quito que você se encontrar. O ónibus leva cerca de duas horas até chegar lá e passamos por um série de provincias bem diferentes do que é visto quando se está mais ao centro de Quito. Salta aos olhos a desigualdade exorbitante em cada região, a precariedade do transporte urbano que leva crianças, adultos e senhores em sua maioria em pé e também a enorme quantidade de pessoas no comércio informal, a vender todo o tipo de coisa que pensamos, desde sacos de lixo até doces caseiros, inclusive há crianças vendendo nos ónibus, que é uma coisa ainda mais chocante crianças com cerca de 6 ou 7 anos já a trabalhar dentro dos transportes. 

O clima quente torna tudo mais cansativo, a viagem e o trabalho para que sobrevive a partir do comércio é um ambiente em que o turismo e a pobreza convivem juntos e causa um constrangimento comum em viver em mundo tão desigual.  

domingo, 24 de dezembro de 2017

Natal, e não dezembro


Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos, 
numa gruta, no bojo de um navio, 
num presépio, num prédio, num presídio, 
no prédio que amanhã for demolido... 
Entremos, inseguros, mas entremos. 
Entremos, e depressa, em qualquer sítio, 
porque esta noite chama-se Dezembro, 
porque sofremos, porque temos frio. 

Entremos, dois a dois: somos duzentos, 
duzentos mil, doze milhões de nada. 
Procuremos o rastro de uma casa, 
a cave, a gruta, o sulco de uma nave... 
Entremos, despojados, mas entremos. 
Das mãos dadas talvez o fogo nasça, 
talvez seja Natal e não Dezembro, 
talvez universal a consoada. 

David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal' 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dia 20 de novembro dia da consciência negra


Hoje é dia de luta, para os negros e negras do mundo todo dia o é...
mas também é um dia para lembrarmos das nossas conquistas e dos nossos lutadores que pavimentaram os caminhos para que seguíssemos. 


o faço de forma simbólica por meio deste video que resgata a história das mulheres negras lutadoras.



sábado, 11 de novembro de 2017

O cavalo de Tróia e a Misoginia


Fernanda Pimentel - Professora e Socióloga

Um dos elementos nucleares 
do patriarcado reside exatamente no 
controle da sexualidade feminina /.../ 
Heleieth Saffioti 


Uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 9, a PEC 181. No parecer, o relator defende o conceito de proteção da vida a partir da concepção. Na prática, pretende-se proibir o direito ao aborto em toda e qualquer situação. 

Exemplifico. Aquela criança com 9 anos de idade que foi estuprada pelo padrasto, ou aquela menina de 15 que foi estuprada pelo vizinho ou ainda aquela moça que pega o último ônibus e volta tarde da noite da faculdade ou do emprego e foi estuprada por um desconhecido num beco escuro, todas elas, se engravidarem, serão obrigadas a ter um filho resultado de uma violência.  Soa exagerado? Mas não é. 

Segundo o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 135 estupros por dia em 2016. De acordo com o Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan), 70% das vítimas são crianças e adolescentes. Os números são alarmantes, mas não mostram a realidade por completo já que o crime é subnotificado, estima-se que somente 10 % dos casos cheguem ao conhecimento da polícia. 

O mesmo vale para os casos nos quais a mãe corre risco de vida ou quando o feto é anencéfalo. Proibição total do direito ao aborto. 

Espanta a manobra descarada feita pelos deputados para incluir a pauta do aborto em um PL sobre aumento da licença-maternidade para mães de prematuros. É aí que o Cavalo de Tróia mostra seu interior: a misoginia. 

Ao mesmo tempo, vem a indagação, parafraseando Saffioti, por que a Câmara dos Deputados não seria sexista? São, atualmente, 45 deputadas contra 468 homens. Na comissão da PEC 181, foram 18 votos masculinos a favor e 1 voto feminino contra. Sintomático.

O patriarcado ou ordem patriarcal de gênero é demasiadamente forte, atravessando todas as instituições, como já se afirmou. Isto posto, por que a Justiça não seria sexista? Por que ela deixaria de proteger o status quo, se aos operadores homens do Direito isto seria trabalhar contra seus próprios privilégios?”. (Heleieth Saffioti, Gênero, Patriarcado e Violência.

Também é preocupante a forma como a discussão sobre aborto vem sendo pautada no Brasil. Em boa parte orientada por preceitos religiosos que deveriam ser escolhas individuais e não impostos, na forma da lei, a toda uma população. 

Falar sobre o assunto partindo do pressuposto de que a vida começa a partir da concepção é uma armadilha perversa, um engodo para atrair inocentes e fanáticos que corroborem posturas reacionárias. Tal pressuposto retira do debate toda a sua dimensão social, além de reafirmar, de maneira torpe, a naturalização da maternidade. Sobre a possibilidade de escolha da maternidade como um fundamento da liberdade das mulheres, Saffioti afirma:

"Resta à sociedade a possibilidade de enclausurar a mulher em situações nas quais a única saída seja a maternidade e, deste modo, induzi-la a conceber carne para canhão, como fez o nazismo. Ao tornar o papel reprodutivo da mulher um substituto de seu papel produtivo, a sociedade potencia a determinação sexo, distanciando, na esfera social, a mulher do homem. Eis por que a liberdade feminina está estreitamente ligada à possibilidade de a mulher aceitar ou rejeitar livremente a maternidade." ( A mulher na sociedade de classes: Mito e Realidade.) 

A discussão sobre aborto, ao contrário do que propaga a bancada evangélica, deve necessariamente ser fundamentada pelo contexto histórico e social concernente à vida das mulheres no Brasil. 

Para tanto, fundamental é considerar as consequências da criminalização. Números da Organização Mundial da Saúde mostram que a cada dois dias 1 mulher morre vítima das complicações de aborto clandestino no país e mais de 1 milhão de mulheres se submetem a abortos clandestinos anualmente. 

Diante desse quadro, outro fator crucial é considerar a ineficácia da proibição. Dados da Pesquisa Nacional de Aborto mostram que, em 2010, 1 em cada 5 mulheres entre 18 e 39 anos já recorreu a pelo menos 1 aborto na vida. Você, com certeza, conhece uma dessas mulheres, são mães, irmãs, trabalhadoras, mulheres que estão entre nós todos os dias. 

A proibição do aborto é eficaz em matar mulheres. O movimento feminista está associando a PEC 181 ao Cavalo de Tróia. Sorrateiro e perverso, o suposto benefício traz em si o completo menosprezo pelas mulheres e o peso de sua subjugação ao patriarcado. 

Legalizar o aborto é defender a vida.

domingo, 5 de novembro de 2017

Lembrai do 5 de novembro



Para além do inicio do Exame Nacional do Ensino Médio 5 de novembro também é a data lembrada no empolgante filme V de Vingança que conta a história do Guy Fawkes que tentou assassinar o Rei Jaime I e explodir o parlamento inglês