quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Organização Internacional do Trabalho e o futuro dos trabalhadores.


Em 20 de Outubro de 2016 ocorreu a primeira sessão da simulação da Organização Internacional do Trabalho em Coimbra (Portugal). A sessão intenciona colocar os alunos estudantes e académicos em conjunto com os representantes do governo português e da OIT para debater o futuro do trabalho. Em breve farei aqui alguns destaques deste momento, mas já antecipo que está escancarado que o trabalhador não pode colocar sua sorte na mão de qualquer partido, instituição ou governo, nosso tarefa e transitar de uma consciência ingénua para uma consciência crítica, digo isto pensando que já não conseguimos ter uma perspectiva futura, vivemos três ou quatro anos de bonança e logo vem uma chamada "crise" para nos assolar. 




Fonte - Arquivo Pessoal 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Erving Goffman e as nossas mascaras do cotidiano. A vida como uma dramaturgia.



Livro - A apresentação do Eu na vida Cotidiana - 

                                              
O sociólogo canadense Erving Goffman (1922-1982) considerado um dos sociólogos mais influentes do século XX. Deu seu contributo para sociologia numa demonstração do individuo como alguém que se simula ator perante as relações e a partir do modo como se insere nelas. “Do seu lugar de fala e de ação”.

O autor afirma que vivemos como em um palco, em que tudo se mostra simulado, mas as coisas que surgem na vida real nem sempre conseguem ser bem ensaiadas (p.17). Entretanto, estamos sempre a tentar controlar o modo como os outros nos veem, por meio de uma rotina de comportamentos irrefletida. Em uma tentativa parecermos melhor do que de fato somos, como uma fachada de maneira regulada e fixa. Um governante por exemplo, comunica-se primeiro com o estatuto social, já um vendedor ambulante comunica-se primeiro com o que é socialmente considerado profano (p.35) ou o mentiroso em seu modo mais precário de comunicação.

Seu objetivo não é a generalidade e sim uma analise dos sistemas fechados, em esferas institucionais. (A prisão, o hospital, a loja, o supermercado, etc.) Exemplificando com algumas situações da vida real em que frente as situações os indivíduos se colocam sinceros, cínicos (quando possuem, prazer em mascarar-se) e nestes papéis nos reconhecemos (p.32). Na perspetiva sociológica e generalizante, o autor nos impede de ampliar a análise, uma vez que, por intencionar debater os comportamentos em ambientes fechados e com os papeis já atribuídos socialmente, se esquece da determinação social ali implicada, ou seja, o meio social do qual partimos e existimos, das instituições e dos limites ao qual somos submetidos desde que nascemos a partir dos nossos contatos e acessos.

Todavia, consciente do seu trabalho, Goffman utiliza o eu como imagem apenas para exemplificar o que chamamos de sociologia das relações, mas que possui préstimo maior aos estudiosos da psicologia na busca por explicações aos comportamentos humanos, de modo individualizado, primeiramente, beirando as vezes um certo determinismo. Só é possível analisar os indivíduos separadamente quando separamos todas as estruturas sociais, como faz o próprio autor quando divide, técnica- estrutura- política- cultura (p.281) e deste modo não é possível pensar na totalidade e nas implicações da nossa socialização realizada somente por meio de fragmentos.


ES 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Sonhamos utopias, vivemos barbáries.

O resumo do meu passado é uma linha 
Um equilibrista em uma corda bamba
.... o fio sob um abismo

A síntese das contradições daqueles que se equilibram dentro do possível 

O possível reflete aquilo que somos
Que podemos vir a ser 
Ou nunca seremos 
Já nascera avisado que sua vida estaria sempre por um fio
...assim, nunca teve um chão

O pequeno trecho foi baseado em um livro que ganhei do meu pai na infância chamado "O equilibrista".

ES










segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Este Blog foi criado em conjunto com os alunos de uma escola pública na periferia de Santo André onde trabalhei desde 2006 até 2014. O blog se tornou um mecanismo de interação e debate de ideias entre nós e ainda continua. 

Gregório Duvivier explica a PEC 241 de forma didática em 3 minutos.



https://www.youtube.com/watch?v=wUiNBYfKyNI&feature=youtu.be

domingo, 16 de outubro de 2016

Konstantinos Kafávis - À espera dos Bárbaros


Em tempos, vale a leitura e a reflexão acerca do Poema de Konstantinos Kafávis

À espera dos Bárbaros


O que esperamos na ágora reunidos?


É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
É que os bárbaros chegam hoje,
Por que não vêm os dignos oradores
É que os bárbaros chegam hoje
Por que subitamente esta inquietude?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
Sem bárbaros o que será de nós?


Os senadores não legislam mais?

Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

O nosso imperador conta saudar

o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

usam togas de púrpura, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

tais coisas os deslumbram.

derramar o seu verbo como sempre?
e aborrecem arengas, eloqüências.

(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Ah! eles eram uma solução.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

a trama da rede

O objetivo do poema “A trama da rede ”é trazer elementos para pensar sobre as diferentes formas de trabalho na história da humanidade, com destaque para a especificidade do trabalho na sociedade capitalista. Nesse sentido, serão explanados conceitos como divisão social e divisão manufatureira do trabalho, relações de trabalho e alienação. Com base na leitura do poema escrevam, com suas palavras, quais os conceitos da trabalho indicados em cada canto. 


I 
Essa é a trama da rede: 
o tecido das trocas que fabricam 
o pano de uma rede de dormir 
enreda o corpo do homem na tarefa 
de criar na máquina a rede com a mão. 
(o trabalho de tecer a rede é exercido em “casa alheia”, ou seja, no local determinado pelo seu patrão, na manufatura. Ali, são reunidos vários trabalhadores, que, exercendo diferentes trabalhos, transformam os 
fios de várias cores em rede. A trama, o desenho da rede, é mostrada como a trama 
que enreda, que prende o trabalhador à máquina, que impõe seu movimento ao corpo 
do trabalhador.) 

A armadilha do trabalho em casa alheia 
engole o homem e enovela todo o corpo 
no fio no fuso na roda na teia 
do maquinário da manufatura 
que produz o seu produto: a rede 
e reduz o corpo-operário à produção. 
[...] 

III 
O corpo-bailarino que transforma 
a coisa bruta em objeto 
(a fibra em fio e o fio em pano) 
e o objeto na mercadoria 
(o pano pronto na rede e sua valia) 
transforma o corpo do homem operário 
em outro puro objeto de trabalho 
pronta a fazer e refazer no fuso 
aquilo de que a fábrica faz sua riqueza 
de que, quem faz não se apropria. 
[...] 
(o trabalhador que transforma a matéria-prima – o algodão – em fio, e o fio 
em rede, produz uma mercadoria que não pertence a ele, mas, sim, a quem o 
contratou. Ou seja, a rede que ele produz com o seu trabalho não pertence a ele, mas, sim, a quem lhe paga o salário.) 

VII 
Sob a trama do trabalho em tear alheio 
o corpo não possui seu próprio tempo 
e é inútil que lhe bata um coração. 

O relógio interior do operário 
é o que existe na oficina, fora dele, 
de onde controla o tear e o tecelão. 
(tempo ou ritmo de trabalho que, na manufatura, não é mais determinado pelo trabalhador, mas, sim, pelo ritmo da máquina, imposto pelo dono da oficina.) 

VIII 
De longe o dono zela por quem faz: 
pela força do homem que trabalha, 
não pela vida do trabalhador. 
Aqui não há lugar para o repouso 
ainda que o produto do trabalho 
seja uma rede de pano, de dormir 
e que comprada serve ao sono e ao amor. 
(controle exercido pelo dono da manufatura, que não está preocupado com a saúde, a vida do trabalhador, mas, sim, com a produtividade do trabalho.) 

IX 
Durante a flor da vida inteira 
fazendo a mesma coisa e refazendo 
uma operação simples de memória 
o operário condena o próprio corpo 
a ser tão automático e eficaz 
que domine o gesto que o destrói. 
A reprodução contínua, diária, igual 
de um mesmo gesto repetido e limitado 
todos os dias, sobre os mesmos passos, 
ensina ao artesão regras de maestria 
do trabalho que afinal então domina 
através de saber sua ciência 
com a sabedoria do corpo massacrado. 
[...] 
(na manufatura, o trabalhador executa movimentos repetitivos, especializando-se apenas em uma atividade de trabalho, automaticamente, seguindo o movimento da máquina, sem nenhuma criatividade, tornando-se um trabalhador limitado em seu conhecimento) 

XI 
Quem fia e enfia? 
Quem carda e corta? 
Quem tece e trança? 
Quem toca e torce? 
A moça o menino. 
A velha o homem. 
Eles são, artistas, 
parte do trabalho coletivo 
que faz a trama da rede 
e a rede pronta: 
o objeto bonito do descanso 
que inventa a necessidade 
da servidão do trabalho 
do corpo produtivo. 
(trabalho exercido por homens e mulheres, velhos, moças e crianças, tornados servos do trabalho coletivo que produz a rede) 

XII 
A dança ritmada desse corpo 
de bailarino-operário de um ofício 
de que o produto feito não é seu, 
cria o servo de quem lhe paga aos sábados 
Para o que sobra da vida de trabalho 
do corpo de quem fez e não viveu. 
O trabalho-pago, alheio e sempre o mesmo 
obrigando o operário bailarino 
à rotina de fazer sem possuir 
torna-o, artista, servo do ardil 
de entretecer panos e redes sem criar 
e recriar-se servo sem saber. 
[...] 
(trabalho exercido na produção de uma mercadoria, a rede, que não lhe pertence, submete o trabalhador e o seu corpo às determinações de seu patrão, aquele que lhe paga o salário. Seu corpo, suas energias, sua força de trabalho são vendidos 
em troca de um salário e usados na produção de uma mercadoria que não lhe 
pertence.) 

XIV 
Não conhece descanso o corpo na oficina. 
Ele é parte das máquinas que move 
e que movidas não sabem mais parar. 
Os pés descalços prologam pedais 
os braços são como alavancas 
e as mão estendem pontas de um fio 
que existe no fuso e no tear. 

O trabalho do corpo é o objeto 
que o homem vende ao dono todo o dia. 
O corpo-livre pertence ao maquinário 
que o homem converte no operário 
de que reira o preço do sustento: 
a comida a cama a casa o agasalho 
o que mantém vivo o corpo e o seu trabalho. 
(na manufatura, o corpo do operário parece ser um prolongamento da máquina: seus braços, mãos, pés põem em movimento a máquina e são movidos por ela. O corpo, a força de trabalho do trabalhador torna-se um objeto que ele vende em troca de seus meios de vida, aquilo que lhe permite sobreviver e retornar, todo dia, ao local de trabalho, reproduzindo a sua servidão à máquina e ao seu patrão.) 
Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: Sociologia, EM, 2ª S., V.3, 2009, pp.07-08)


ATIVIDADE 3º ANO ESCOLA ONDINA
3º BIMESTRE 


Leia o texto e responda as questões.


Estado, capital e sociedade 


O forte comprometimento do Estado com o capital implica a expansão do Poder Executivo, em detrimento do Legislativo. Em um país de tradição política autoritária, no qual predominam o pensamento e a prática que privilegiam a missão "civilizatória" do Estado na sociedade, o alargamento do poder econômico do Estado implica a expansão do Executivo; implica o alargamento do poder político e cultural do Executivo. Tanto assim que o Estado se transforma em um poderoso agente da indústria cultural, por suas implicações não são econômicas, mas também políticas e culturais. [...]
A medida que se alarga o poder estatal, redefine-se e modifica-se a relação do Estado com a sociedade, compreendendo as diversidades e as desigualdades sociais, econômicas e outras. Na prática, dissocia-se o poder estatal de amplos setores da sociedade civil. Operários, camponeses, empregados, funcionários e outros, compreendendo negros, mulatos, índios, caboclos, imigrantes e outros, sentem-se deslocados, não representados, alienados do poder.
IANNI, Octávio. Estado e capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989. p. 259-60.



1. Esse texto foi extraído de um livro que teve sua primeira edição publicada em 1965. Embora escrito há mais de quarenta anos, ele aborda características ainda fundamentais do Estado e de suas relações com a sociedade no Brasil- uma delas, o fato de o Executivo ser mais forte que o Legislativo. Quais são os sinais mais aparentes desse fato? Quais seriam as alternativas para haver um Legislativo realmente capaz de enfrentar o Executivo?

2. Você acredita que o Estado brasileiro investe muito para resolver os problemas básicos da população ou a maior preocupação é atender aos interesses dos grandes grupos econômicos, industriais e financeiros?

3. Você acha que os que estão no poder do Estado hoje representam os mais desvalidos da população brasileira? Explique por que você pensa dessa maneira.

4. Reflita e disserte sobre as possibilidades de participação Política na nossa sociedade e o tipo de Estado demonstrado no filme “V de Vingança”.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

ATIVIDADE 2º ANO


ATIVIDADE SOCIOLOGIA 2º ANO (entrega até 12/04)
Bons estudos!

1. Escute a música Paratodos - de Chico Buarque abaixo e responda as questões:




A. Por que Chico Buarque se auto referiu como brasileiro e não como carioca?
B. Preencha o quadro abaixo:





2- (UEL – 2003) O texto que segue é do poeta cearense Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, cantador do drama dos caboclos nordestinos e dos pobres do Brasil.


BRASI DE CIMA E BRASI DE BAXO


Meu compadre Zé Fulô,
Meu amigo e companhêro,
Faz quage um ano que eu tou
Neste Rio de Janêro;
Eu saí do Cariri
Maginando que isto aqui
Era uma terra de sorte,
Mas fique sabendo tu
Que a miséria aqui do Su
É esta mesma do Norte.
Tudo o que procuro acho.
Eu pude vê neste crima,
Que tem o Brasi de Baxo
E tem o Brasi de Cima.
Brasi de Baxo, coitado!
É um pobre abandonado;
O de Cima tem cartaz,
Um do ôtro é bem deferente:
Brasi de Cima é pra frente,
Brasi de Baxo é pra trás.
Aqui no Brasi de Cima,
Não há dô nem indigença,
Reina o mais soave crima
De riqueza e de opulença;
Só se fala de progresso,
Riqueza e novo processo
De grandeza e produção.
Porém, no Brasi de Baxo
Sofre a feme e sofre o macho
A mais dura privação.

(PATATIVA DO ASSARÉ. Cante lá que eu canto cá. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 1978. p. 271-272.)

Segundo a interpretação do poeta sobre o problema da pobreza, é correto afirmar:
a) A pobreza atinge principalmente os moradores da região Nordeste, chamada por ele de “Brasi de baxo”.
b) Na origem da pobreza está o domínio do acaso e do azar, predominando a riqueza em regiões privilegiadas como o Rio de Janeiro.
c) A pobreza deve-se às diferenças de características pessoais (físicas, psíquicas e raciais, entre outras) que existem entre os brasileiros do sul e os do norte.
d) No Brasil, a pobreza atinge tanto a população nordestina como a do sul do país, dividindo os brasileiros em duas categorias de pessoas.
e) A pobreza no Nordeste e na região Sul do país decorre do mau aproveitamento dos seus recursos naturais e humanos.




3. Com base nas tabelas da apostila discuta a situação do Brasil no que tange a analfabetismo, acesso ao saneamento e condição salarial.




4. Quais as causas da desigualdade social?




5. Tendo como base o que foi discutido em sala de aula, explique a charge abaixo:



6. Explique que foi Georg Simmel e qual foi sua contribuição para a compreensão da emigração, imigração e migração. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Atividade 1° Ano


A figura representa a execução do Imperador Inca Atahualpa, morto pelos espanhóis, sob o comando de Francisco Pizarro, em 1533. A figura encontra-se no livro Primer Nueva Coronica y Buen Gobierno, de Felipe Guaman Poma de Ayala (indígena peruano descendente da antiga aristocracia inca), concluído no início do século XVII. 

Questões para reflexão:

1. Descrever o que veem na imagemRefletir sobre o fato de Atahualpa ser executado segurando um crucifixo. Qual o significado desta representação?

2. O relativismo cultural significa que todos os costumes e comportamentos são igualmente legítimos? Há padrões universais aos quais todos os humanos deveriam aderir?