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terça-feira, 5 de março de 2019

O menino que descobriu o vento.


A esperança é arrancada diariamente pelo andar da história.



O menino que descobriu o vento é um filme baseado em uma história real que se passa no Malawi, que significa sol nascente, e está localizado na África Oriental fazendo fronteira com a Tanzânia e Moçambique. 


O filme que está disponível na plataforma Netflix e conta a história de William Kamkwamba, que ficou famoso ao construir, com materiais rústicos, uma turbina eólica que pudesse abastecer sua pequena aldeia que passava uma crise alimentar devido a seca no local.  




Imagem do filme


Há vários pontos que podem ser abordados no filme para além da incrível história de William, o Malawi foi um país colonizado pelos Ingleses devido a isso só foi possível uma "democracia" em 1964, democracia esta que garantia eleições em único partido que era vitalício e permaneceu no poder até a década de1990. 

Em 1993, pela primeira vez, realizaram eleições multi partidárias, contudo, o governo cometeu graves erros econômicos e parte disto também ocorreu devido ao seu caráter colonial, o país submetido ao modelo de agricultura primária de exportação, não tem na sua economia qualquer garantia de sobrevivência senão pela venda de seus produtos - segundo dados da OEC a maior produção do Malawi tem sido a do tabaco - nesta monocultura, sobra pouco para produção interna e de subsistência, além da venda da própria natureza como é demonstrado no filme, com venda de arvores que auxiliam a proteção daquela natureza e variação climática que é caracterizada como desértica. Esta junção de fatores levou o país a sofrer com a fome e a falta de qualquer apoio, por parte de um governo que ficou conhecido pela corrupção e durante muito tempo viveu e vive do apoio internacional, acentuando ainda mais sua dependência.

O filme é retratado com estereotipo de esperança e obviamente que em meio a tudo isso a sobrevivência e o sentido de solidariedade, próprio daquela comunidade, acaba por vencer algumas das dificuldades, porém penso que ao tratar com naturalidade fatores econômicos que não são naturais, pode nos levar a incorrer no erro de romantizar a miséria, quando poderia ser evitada. O menino que descobriu o vento tem uma bela fotografia, imagens marcantes de um país rico, todavia, devastado e marcado pela desigualdade até no acesso a escola que é bem precário e cobrado. 

A mensagem que o filme deixa, ao menos pra mim, é que muitas vidas poderiam ser melhoradas e salvas se tivéssemos uma sociedade mais justa, muito gênios como William
Kamkwamba poderiam ser encontrados antes de morrer de fome ou ter que fugir de suas famílias em busca de uma vida melhor. William, foi um vencedor que com sua genialidade salvou uma comunidade, mostrando que ideias simples já utilizadas em muitos países poderiam salvar muitas vidas em outros lugares. 




Imagem do filme





Dados da OEC

https://atlas.media.mit.edu/pt/profile/country/mwi/


Entrevista com William 

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG87250-8489,00.htmL

terça-feira, 3 de abril de 2018

A esquerda e a Princesa Isabel – parem de usar nosso sangue em suas plataformas eleitorais.




Após um mês do assassinato de Marielle Franco, continuamos sem respostas para tal crime, fato comum para aqueles e aquelas que convivem com isto desde a nascença. E não falo apenas dos moradores das periferias brasileiras, mas sim dos negros e negras brasileiros que conhecem de perto o drama da morte.
Muita gente se recusa a aceitar a origem de Marielle Franco, uma mulher negra, periférica e lésbica, afirmam “foi um crime político”, para além disto, gostaria que explicassem como eu e muitas outras mulheres negras e periféricas nos dividimos no cotidiano, somos só negras, só mulheres e de repente somente sujeitos políticos.
São estes que desconhecem a constituição de povo brasileiro que entoam hoje a chamada esquerda brasileira com sua síndrome de Princesa Isabel, não nos querem como intelectuais, atuante em diversas áreas da sociedade, mas sim como um símbolo. São os abolicionistas que, assim como Princesa Isabel, levam os louros de uma luta que já existia entre os negros e negras brasileiros, mas pouco conhecida, a história nos apaga. Em contrapartida, estamos entre (e do lado) os subalternos, os oprimidos, a nossa composição de classe que é heterogênea, mas conectada em suas opressões. Esta é a noção de interseccionalidade o “nó” do termo cunhado pela jurista afro americana Kimberlé Crenshaw (1989), todas as múltiplas violências sofridas se encontram, se sobrepõem e colocam a mulher negra na base desta pirâmide, daí a morte do seu pensamento, do seu posicionamento e também dos seus corpos.

Imagem da Revolta dos Malês - google. 

Contudo, estamos à serventia política em uma sociedade que ainda não nos aceita. Muitos negros e negras dividem um sentimento desacomodado quando vemos que a morte de Marielle Franco está a ser usada como plataforma política. Vale tudo por uma eleição? É só assim que sabemos lutar? Por meio de disputas eleitorais e ocupação do Estado. Para nós nunca foi assim temos que lutar por sobrevivência desde o nascimento, logo, poucos vislumbram uma luta dentro da organização estatal, “corremos por fora” como se diz por aí.
E por estas e outras que no Brasil os donos do poder dormem com tranquilidade, porque as investidas contra o capital são inexistentes, a direita pode sair às ruas com sua bandeira torpe que serve apenas ao reacionarismo mais rebaixado, buscando uma realidade “deles e para eles”, ou seja, monomaníaca. Que, claro, nos excluirá! Que faremos? Começamos por não enganar uns aos outros, tratemos a realidade tal como ela é. Um governante deste ou daquele partido, por mais bem-intencionado que seja entrará no chorume exposto e esfregado todos os dias em nossas caras.
Sofremos para que outros possam viver bem, as nossas custas. Somos conscientes da nossa condição, das dores que nos perpassam, somos negras, também trabalhadoras, também mulheres, também periféricas; somos diversas lutas de uma mesma classe com seus sofrimentos e suas especificidades, mas somos uma classe. E não se enganem o levante dos malês virá contra todos e todas que nos oprimem, que nos usam, que nos expropriam em todos os sentidos.

Marielle, Cláudia, Ricardo Nascimento, Luana Barbosa e uma imensa lista de nossos lutadores que são a linha de frente das injustiças do capital,
PRESENTE!!

Assino o texto consciente que não foi um pensamento solitário, o sentimento de falsidade e uso, resvala por muitos de nós que andamos a discutir nas redes sociais e em uma destas conversas surgiu o título deste artigo, porque não nos respeitam? Esta esquerda se parece muito com a Princesa Isabel, só nos quer quando servimos à luta, mesmo mortas. 


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dia 20 de novembro dia da consciência negra


Hoje é dia de luta, para os negros e negras do mundo todo dia o é...
mas também é um dia para lembrarmos das nossas conquistas e dos nossos lutadores que pavimentaram os caminhos para que seguíssemos. 


o faço de forma simbólica por meio deste video que resgata a história das mulheres negras lutadoras.



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Lenin Moreno anunciou sua maneira para recuperar a economia do Equador


O programa econômico como aritmética neoliberal.


Neste 11 de outubro Lenin Moreno, presidente do Equador, fez un anúncio das medidas com as quais pretende recuperar a economia. Desde o inicio de seu mandato o presidente fez diversos anuncios que teria assumido um país repleto de dívidas e problemas, algo que dizia não saber e destas declaração surgiu uma crise entre ele e seu companheiro de partido Rafael Correa, que tem dado diversas declarações desde a Bélgica, onde vive atualmente. O fato é que Lenin tem sido apoiado abertamente por setores da direita equatoriana, mesmo aqueles que eram contrários a sua eleição como é o caso do seu concorrente no segundo turno o banqueiro Guilherme Lasso. 

Entre as medidas propostas estão a eliminação de impostos às empresas que não alcancem 300mil dólares anuais (vale relembrar que o Equador foi dolarizado em 2000 em meio a severa crise econômica com o presidente Jamil Mahuad); também destacou que a partir de 2018 vão estabelecer novos tipos de contratos de trabalho sem detalhar como isto será realizado e estabeleceu um incremento no imposto de renda àquelas pessoas que recebem mais de 3000 dólares mensais.  

O presidente também reforçou a votação na alteração da Lei Da PlusValia que é a lei estabelece impostos maiores a grandes fortunas, segundo ele, isto atrapalha a geração de empregos porque não permite que os empresários possam apostar na empregabilidade uma vez que pagam muitos impostos. Também alega que a lei de PlusValia arrefeceu a construção, fato que é negado quando analisamos os dados dos ciclos de construção no país, que aumentaram. (dados disponíveis na página do INEC )  O programa econômico indicado pelo governo equatoriano são ajustes neoliberais realizados pela maior parte dos governos latino-americanos que vivem dos preços de commodities e sofrem quando os preços caem no mercado externo a polarização equatoriana piora a situação no caso do Equador, pois o país ainda fica mais vulnerável as flutuações da moeda.



Fonte: google 

Elaine Santos - Socióloga, Doutoranda em Sociologia no Centro de Estudos Sociais.




segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sobre as Desigualdades - Sociologia Popular e Paidéia




Com base em outro blog que também é muito bom para consulta o Sociologia Popular e que eu indico fortemente para meus alunos e leitores deixo aqui uma série de artigos acerca das desigualdades sociais....




São os sociólogos juntos para tornar as discussões cada vez mais acessíveis a todos...



Prológo de Eduardo González Viaña o livro discute a dinâmica do povo no cotidiano.